ZERO HORA 13 de junho de 2008 N° 15631A
EUABush sofre revés em relação a Guantánamo
A Suprema Corte decidiu ontem que os cerca de 270 detentos mantidos naprisão da base naval, sob a acusação de terrorismo, têm o direito derecorrer a tribunais civis, o que pode levar a sua libertaçãoEm um grande revés para o governo do presidente americano, George W.Bush, a Suprema Corte dos EUA decidiu ontem que os suspeitos deterrorismo presos na prisão de Guantánamo têm o direito constitucionalde contestar a detenção em tribunais civis do país.Na prática, a decisão pode significar o fim da prisão, já que o localfoi escolhido para abrigar os acusados, depois do 11 de Setembro, porse encontrar em uma espécie de limbo legal - a base americana deGuantánamo fica na Ilha de Cuba, em um território cedido de formaperpétua pelo governo cubano no início do século 20. Em tese, não éterritório americano, o que, na avaliação inicial da Casa Branca,impediria recursos aos tribunais americanos. De qualquer forma, osdois principais candidatos à presidência, Barack Obama e John McCain,já prometeram fechar a prisão se eleitos.A decisão de ontem na Suprema Corte foi apertada - cinco votos aquatro - e representou a terceira derrota seguida de Bush na Justiçaem relação a Guantánamo. Ontem, o presidente mostrou descontentamentocom a sentença, mas disse que o governo acatará a medida.- Nós aceitaremos a decisão da Corte. Isso não quer dizer que euconcorde com ela. O tribunal estava fortemente dividido, e eu concordototalmente com os que discordaram - declarou Bush durante entrevistacoletiva em Roma, em seu segundo dia de visita à Itália.Não estava claro ontem se a sentença levará a audiências imediatas doscasos dos prisioneiros, alguns deles detidos em Guantánamo há mais deseis anos sem acusação formal. Cerca de 270 pessoas permanecem presasatualmente na base americana, qualificadas de "combatentes inimigos" econsideradas suspeitas de vínculos com a rede terrorista Al-Qaeda oucom a milícia fundamentalista afegã Talibã. Para a AnistiaInternacional, a decisão põe fim "ao hábito do governo Bush de atiraralguém na prisão e jogar fora a chave.Um dos juízes da Suprema Corte, Anthony Kennedy - relator do processo- , disse que alguns detentos podem até ter a libertação decretada.Mas ressaltou que isso dependeria também de análises envolvendoquestões de segurança e outras circunstâncias.Penitenciária foi criada após o 11 de SetembroCom a resolução de ontem, muitos processos de detentos que tramitavamem cortes federais podem ser reabertos. Pode ser realizada uma reuniãoespecial com os juízes federais sobre os procedimentos a seremseguidos para cuidar desses casos. A decisão também lança dúvida sobreos tribunais militares de Guantánamo, que, no momento, julgam 19detentos. Outros 80, segundo o Pentágono, estariam na "lista deespera" para serem julgados.A prisão foi aberta no início de 2002, poucos meses depois dosatentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Guantánamo motivouduras críticas aos Estados Unidos - especialmente de entidades dedefesa dos direitos humanos - , devido à situação legal dos detentos eàs supostas torturas lá ocorridas.
Este blog foi criado para intercambiar minhas relações profissionais. Pouco coisa será postada de cunho pessoal, reserva-se a acompanhar as relevâncias socias em diveros níveis, com conteúdos de raça, credo, gênero, políticas públicas, violência, com recorte especial as questões voltadas para área da saúde. Os assuntos postados com certeza vão servir de um banco de dados para mim, quanto para aqueles e aquelas que buscam informações nesta área.
14/06/2008
UNGASS 12/06/08
12.06.08
A Sessão Especial da Assembléia Geral das Nações Unidas sobre HIV e Aids (UNGASS) terminou na tarde desta quarta-feira, 11.06. A reunião contou com a participação de atores políticos de vários países participantes da resposta global à aids, incluindo líderes de governos nacionais, grupos da sociedade civil e agências das Nações Unidas.
A reunião realizou-se com o objetivo de revisar o progresso obtido na implementação da Declaração de Compromisso em HIV/Aids, de 2001, e da Declaração Política sobre HIV/Aids, de 2006. As discussões enfocaram os importantes avanços feitos até o momento, os desafios que ainda permanecem e as recomendações para assegurar uma resposta sustentável no futuro.
O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, apresentou um abrangente informe com base nos relatórios de progresso nacional de 147 países. O informe mostrou que, embora uma significativa quantidade de trabalho ainda precise ser feita, houve progressos em quase todas as regiões do mundo.
O Secretário-Geral observou que deter e reverter a disseminação da aids não constitui somente um Objetivo de Desenvolvimento do Milênio em si, mas também um pré-requisito para alcançar muitos outros objetivos. A efetividade da resposta à aids terá impacto sobre os esforços para reduzir a pobreza, melhorar a nutrição, reduzir a mortalidade infantil, proteger a saúde materna e conter a disseminação da tuberculose.
O Diretor-Executivo da UNAIDS, Dr. Peter Piot, frisou o quanto é importante que os países permaneçam comprometidos com a resposta global à aids e trabalhem arduamente para tornar o acesso universal à prevenção e ao tratamento do HIV uma realidade. Ele notou que esses objetivos irão requerer significativos esforços a longo prazo, mas também reconheceu a importância do otimismo. "A aids pode ser uma das mais preocupantes questões do nosso tempo”, disse ele," mas agora é claramente um problema com solução."
Os países foram orientados na sua resposta à epidemia da aids pela Declaração de Compromisso em Aids de 2001 e pela Declaração Política de 2006. As duas declarações tiveram um importante papel ao elevar a consciência global sobre o HIV e coordenar os esforços para ampliar o acesso à prevenção, tratamento, atenção e apoio.
O chefe da delegação russa afirmou seu compromisso com a resposta, dizendo que a Rússia está pronta a ‘assumir a liderança em aids na região, compreendendo a epidemia e assumindo a responsabilidade de expandir a assistência técnica, financeira e organizacional’.
A China reconheceu os ‘resolutos esforços’ da ONU para promover a ação global e articulada contra a aids e definiu os esforços de seu próprio país na prevenção e tratamento como ‘questões estratégicas, vitais para a sobrevivência de uma nação’.
A Argentina, que tornou o direito à saúde um direito constitucional em 1994, destacou a necessidade de se continuar trabalhando para remover barreiras jurídicas que estão minando a resposta à epidemia.
A sociedade civil esteve fortemente presente na reunião. Representantes de grupos de todo o mundo participaram de uma ampla variedade de fóruns, oferecendo uma visão essencial sobre o trabalho das comunidades na resposta à aids. Na terça-feira, 10 de junho, uma audição interativa com a sociedade civil foi convocada entre os Estados-Membros e observadores, visando discutir os mitos e realidades acerca da ampliação do acesso universal.
Participando da audição via vídeo conferência, Mark Heywood, representante do Conselho Internacional de Organizações de Serviços em Aids (ICASO), proferiu palavras marcantes sobre a importância do tema dos direitos humanos na resposta à aids. Ele disse que se trata de uma “tarefa de governos e não uma escolha, cabendo à sociedade civil fazer que os governos honrem os compromissos que assumiram no papel”.
A Reunião de Alto Nível também apresentou uma série de discussões em painéis sobre tópicos críticos na resposta à aids, incluindo o acesso universal, liderança em países com epidemia concentrada, igualdade de gêneros e resposta de longo prazo.
Fonte: www.unaids.org/en/KnowledgeCentre/Resources/FeatureStories/archive/2008/20080612_HLM_concludes_NY.asp
A Sessão Especial da Assembléia Geral das Nações Unidas sobre HIV e Aids (UNGASS) terminou na tarde desta quarta-feira, 11.06. A reunião contou com a participação de atores políticos de vários países participantes da resposta global à aids, incluindo líderes de governos nacionais, grupos da sociedade civil e agências das Nações Unidas.
A reunião realizou-se com o objetivo de revisar o progresso obtido na implementação da Declaração de Compromisso em HIV/Aids, de 2001, e da Declaração Política sobre HIV/Aids, de 2006. As discussões enfocaram os importantes avanços feitos até o momento, os desafios que ainda permanecem e as recomendações para assegurar uma resposta sustentável no futuro.
O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, apresentou um abrangente informe com base nos relatórios de progresso nacional de 147 países. O informe mostrou que, embora uma significativa quantidade de trabalho ainda precise ser feita, houve progressos em quase todas as regiões do mundo.
O Secretário-Geral observou que deter e reverter a disseminação da aids não constitui somente um Objetivo de Desenvolvimento do Milênio em si, mas também um pré-requisito para alcançar muitos outros objetivos. A efetividade da resposta à aids terá impacto sobre os esforços para reduzir a pobreza, melhorar a nutrição, reduzir a mortalidade infantil, proteger a saúde materna e conter a disseminação da tuberculose.
O Diretor-Executivo da UNAIDS, Dr. Peter Piot, frisou o quanto é importante que os países permaneçam comprometidos com a resposta global à aids e trabalhem arduamente para tornar o acesso universal à prevenção e ao tratamento do HIV uma realidade. Ele notou que esses objetivos irão requerer significativos esforços a longo prazo, mas também reconheceu a importância do otimismo. "A aids pode ser uma das mais preocupantes questões do nosso tempo”, disse ele," mas agora é claramente um problema com solução."
Os países foram orientados na sua resposta à epidemia da aids pela Declaração de Compromisso em Aids de 2001 e pela Declaração Política de 2006. As duas declarações tiveram um importante papel ao elevar a consciência global sobre o HIV e coordenar os esforços para ampliar o acesso à prevenção, tratamento, atenção e apoio.
O chefe da delegação russa afirmou seu compromisso com a resposta, dizendo que a Rússia está pronta a ‘assumir a liderança em aids na região, compreendendo a epidemia e assumindo a responsabilidade de expandir a assistência técnica, financeira e organizacional’.
A China reconheceu os ‘resolutos esforços’ da ONU para promover a ação global e articulada contra a aids e definiu os esforços de seu próprio país na prevenção e tratamento como ‘questões estratégicas, vitais para a sobrevivência de uma nação’.
A Argentina, que tornou o direito à saúde um direito constitucional em 1994, destacou a necessidade de se continuar trabalhando para remover barreiras jurídicas que estão minando a resposta à epidemia.
A sociedade civil esteve fortemente presente na reunião. Representantes de grupos de todo o mundo participaram de uma ampla variedade de fóruns, oferecendo uma visão essencial sobre o trabalho das comunidades na resposta à aids. Na terça-feira, 10 de junho, uma audição interativa com a sociedade civil foi convocada entre os Estados-Membros e observadores, visando discutir os mitos e realidades acerca da ampliação do acesso universal.
Participando da audição via vídeo conferência, Mark Heywood, representante do Conselho Internacional de Organizações de Serviços em Aids (ICASO), proferiu palavras marcantes sobre a importância do tema dos direitos humanos na resposta à aids. Ele disse que se trata de uma “tarefa de governos e não uma escolha, cabendo à sociedade civil fazer que os governos honrem os compromissos que assumiram no papel”.
A Reunião de Alto Nível também apresentou uma série de discussões em painéis sobre tópicos críticos na resposta à aids, incluindo o acesso universal, liderança em países com epidemia concentrada, igualdade de gêneros e resposta de longo prazo.
Fonte: www.unaids.org/en/KnowledgeCentre/Resources/FeatureStories/archive/2008/20080612_HLM_concludes_NY.asp
11/06/2008
UNGASS 2008
UNGASS 2008
10/06/08
Brasil defende redução de custos de medicamentos para ampliar acesso universal
Nova York – A ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial da Presidência da República de Políticas para as Mulheres, abriu, na manhã desta segunda-feira (9/6), os trabalhos da delegação brasileira que participa da Sessão Especial das Assembléia Geral das Nações Unidas sobre HIV e Aids (UNGASS). O evento acontece até a próxima quarta-feira (11/6), na sede das Nações Unidas, em Nova York, nos Estados Unidos. Falando no painel “Acesso universal a diagnóstico e tratamento de baixo custo para HIV e aids: em busca de soluções sustentáveis”, Nilcéa destacou a necessidade de aprofundar as iniciativas que visem a baixar o custo de medicamentos e de insumos de prevenção.
“O grande desafio é tornar o acesso universal a insumos de prevenção e a medicamentos, de fato, universal. Hoje, é grande o número de países severamente afetados pela epidemia que não têm condições de oferecer esses insumos à população”, disse a ministra, em entrevista após o pronunciamento.
De acordo com relatório conjunto da Organização Mundial de Saúde (OMS), do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (UNAIDS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), divulgado no início de junho, aproximadamente 6,5 milhões de pessoas infectadas pelo HIV que precisam de terapia anti-retroviral não têm acesso aos medicamentos.
Moderado por Michel Sidibé, diretor-executivo-adjunto do UNAIDS, o painel teve também a participação de Brian Chituwo, ministro da Saúde de Zâmbia; de Rolake Odetoyinbo, representante da ONG Ação Positiva para Acesso ao Tratamento, da Nigéria; e de Jeffrey L. Sturchio, vice-presidente do laboratório Merck Sharp & Dohme.
Propriedade intelectual – Na cerimônia, os presidentes de Burkina Faso, Blaise Compaore, e de Togo, Faure Gnassingbe, ressaltaram o papel de destaque do Brasil no processo que levou a OMS a reconhecer, pela primeira vez, os efeitos negativos dos direitos de propriedade intelectual sobre o acesso a medicamentos.
O assunto foi destaque na 61ª Assembléia Mundial de Saúde, realizada em maio, em Genebra, na Suíça. O item consta da Estratégia Global do Grupo de trabalho Inter-governamental sobre Saúde Pública, Inovação e Propriedade Intelectual (IGWG), aprovado no encerramento da Assembléia.
O reconhecimento da OMS é fruto de um processo que se desenrola há dois anos, com participação relevante do Brasil em todos os estágios. Para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, “a Estratégia Global (...) é o documento mais significativo em termos de propriedade intelectual e saúde pública desde a Declaração de Doha”. Essa declaração, de 2001, permite que os países tomem medidas para proteção da saúde pública.
Feminização – Em sua fala no primeiro dia da UNGASS, a ministra Nilcéa Freire afirmou que a ampliação da oferta de insumos de prevenção, sobretudo do preservativo feminino, é uma estratégia importante para conferir mais autonomia às mulheres e reduzir as desigualdades de gênero. “Com isso, certamente contribuiremos para enfrentar o avanço da epidemia de aids no sexo feminino, observado no Brasil e em todo o mundo”.
Atualmente, o Brasil está finalizando uma compra de 6 milhões de preservativos femininos, para serem distribuídos no Sistema Únicos de Saúde. No entanto, ao contrário do preservativo masculino, cuja distribuição é para a população geral, o preservativo feminino é voltado para grupos específicos, mais vulneráveis à infecção pelo HIV, como prostitutas e mulheres vítimas de violência. “Nossa meta é expandir a distribuição para 10 milhões de unidades, em 2010”, informou Nilcéa.
No Brasil, segundo dados do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério Saúde (PN-DST/AIDS), havia 26 homens com aids para cada mulher, em meados dos anos 80. Hoje, são 16 homens com aids para cada 10 mulheres.
Direitos Humanos – À tarde, a diretora do PN-DST/AIDS, Mariângela Simão, participou de debate sobre exclusão social e grupos mais vulneráveis à epidemia, como gays, outros homens que fazem sexo com homens e travestis. “É preciso reconhecer o impacto da aids nessa população e promover ações efetivas, considerando as diversas especificidades de cada identidade sexual”, disse Mariângela, que teve a colaboração de Oswaldo Braga, do Movimento Gay de Minas, representante da Comissão Nacional de Aids (CNAIDS).
No Brasil, houve um crescimento do percentual de casos de aids entre homossexuais e bissexuais de 13 a 24 anos de idade, variando de cerca de 24%, em 1996, para aproximadamente 41%, em 2006. Na faixa etária de 25 a 29 anos, nessa categoria de exposição, a variação foi um pouco menor, mas também indicou crescimento: de 26% (1996) para 37% (2006). Já entre indivíduos de 30 a 39 anos, os índices apontam para uma pequena tendência de queda: de 30%(1996) para 28% (2006).
Mais informações para a imprensa:Programa Nacional de DST e Aids(61) 3448-8100/8088/8106
10/06/08
Brasil defende redução de custos de medicamentos para ampliar acesso universal
Nova York – A ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial da Presidência da República de Políticas para as Mulheres, abriu, na manhã desta segunda-feira (9/6), os trabalhos da delegação brasileira que participa da Sessão Especial das Assembléia Geral das Nações Unidas sobre HIV e Aids (UNGASS). O evento acontece até a próxima quarta-feira (11/6), na sede das Nações Unidas, em Nova York, nos Estados Unidos. Falando no painel “Acesso universal a diagnóstico e tratamento de baixo custo para HIV e aids: em busca de soluções sustentáveis”, Nilcéa destacou a necessidade de aprofundar as iniciativas que visem a baixar o custo de medicamentos e de insumos de prevenção.
“O grande desafio é tornar o acesso universal a insumos de prevenção e a medicamentos, de fato, universal. Hoje, é grande o número de países severamente afetados pela epidemia que não têm condições de oferecer esses insumos à população”, disse a ministra, em entrevista após o pronunciamento.
De acordo com relatório conjunto da Organização Mundial de Saúde (OMS), do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (UNAIDS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), divulgado no início de junho, aproximadamente 6,5 milhões de pessoas infectadas pelo HIV que precisam de terapia anti-retroviral não têm acesso aos medicamentos.
Moderado por Michel Sidibé, diretor-executivo-adjunto do UNAIDS, o painel teve também a participação de Brian Chituwo, ministro da Saúde de Zâmbia; de Rolake Odetoyinbo, representante da ONG Ação Positiva para Acesso ao Tratamento, da Nigéria; e de Jeffrey L. Sturchio, vice-presidente do laboratório Merck Sharp & Dohme.
Propriedade intelectual – Na cerimônia, os presidentes de Burkina Faso, Blaise Compaore, e de Togo, Faure Gnassingbe, ressaltaram o papel de destaque do Brasil no processo que levou a OMS a reconhecer, pela primeira vez, os efeitos negativos dos direitos de propriedade intelectual sobre o acesso a medicamentos.
O assunto foi destaque na 61ª Assembléia Mundial de Saúde, realizada em maio, em Genebra, na Suíça. O item consta da Estratégia Global do Grupo de trabalho Inter-governamental sobre Saúde Pública, Inovação e Propriedade Intelectual (IGWG), aprovado no encerramento da Assembléia.
O reconhecimento da OMS é fruto de um processo que se desenrola há dois anos, com participação relevante do Brasil em todos os estágios. Para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, “a Estratégia Global (...) é o documento mais significativo em termos de propriedade intelectual e saúde pública desde a Declaração de Doha”. Essa declaração, de 2001, permite que os países tomem medidas para proteção da saúde pública.
Feminização – Em sua fala no primeiro dia da UNGASS, a ministra Nilcéa Freire afirmou que a ampliação da oferta de insumos de prevenção, sobretudo do preservativo feminino, é uma estratégia importante para conferir mais autonomia às mulheres e reduzir as desigualdades de gênero. “Com isso, certamente contribuiremos para enfrentar o avanço da epidemia de aids no sexo feminino, observado no Brasil e em todo o mundo”.
Atualmente, o Brasil está finalizando uma compra de 6 milhões de preservativos femininos, para serem distribuídos no Sistema Únicos de Saúde. No entanto, ao contrário do preservativo masculino, cuja distribuição é para a população geral, o preservativo feminino é voltado para grupos específicos, mais vulneráveis à infecção pelo HIV, como prostitutas e mulheres vítimas de violência. “Nossa meta é expandir a distribuição para 10 milhões de unidades, em 2010”, informou Nilcéa.
No Brasil, segundo dados do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério Saúde (PN-DST/AIDS), havia 26 homens com aids para cada mulher, em meados dos anos 80. Hoje, são 16 homens com aids para cada 10 mulheres.
Direitos Humanos – À tarde, a diretora do PN-DST/AIDS, Mariângela Simão, participou de debate sobre exclusão social e grupos mais vulneráveis à epidemia, como gays, outros homens que fazem sexo com homens e travestis. “É preciso reconhecer o impacto da aids nessa população e promover ações efetivas, considerando as diversas especificidades de cada identidade sexual”, disse Mariângela, que teve a colaboração de Oswaldo Braga, do Movimento Gay de Minas, representante da Comissão Nacional de Aids (CNAIDS).
No Brasil, houve um crescimento do percentual de casos de aids entre homossexuais e bissexuais de 13 a 24 anos de idade, variando de cerca de 24%, em 1996, para aproximadamente 41%, em 2006. Na faixa etária de 25 a 29 anos, nessa categoria de exposição, a variação foi um pouco menor, mas também indicou crescimento: de 26% (1996) para 37% (2006). Já entre indivíduos de 30 a 39 anos, os índices apontam para uma pequena tendência de queda: de 30%(1996) para 28% (2006).
Mais informações para a imprensa:Programa Nacional de DST e Aids(61) 3448-8100/8088/8106
APESAR DO AVANÇO
09/06/2008 - EFE
site www.giv.org.br
Os progressos que a comunidade internacional obteve na luta contra a Aids ao longo da última década têm sido insuficientes para garantir o acesso da população mundial à prevenção e ao tratamento aos 33,2 milhões de pessoas que atualmente vivem com o HIV, destacou hoje a ONU em um relatório.
O estudo, elaborado pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, chama a atenção para pontos positivos e negativos no cumprimento das metas estipuladas pela comunidade internacional com relação à epidemia.
Ban afirma que o aumento dos investimentos nesta matéria nos últimos dez anos "começa a dar frutos", o que se reflete na redução de novos casos de infecções e do número de mortes.
O secretário-geral da ONU ressalta que que os cerca de 2,5 milhões de novos casos registrados em 2007 supõem uma notável redução em relação aos 3,2 milhões contabilizados em 1998.
Além disso, as mortes anuais ligadas à doença caíram de 3,9 milhões em 2001 para 2,1 milhões em 2007.
Ban atribuiu essas "conquistas" ao aumento dos recursos destinados à luta contra a epidemia, para a qual, no ano passado, foram reservados US$ 10 bilhões. Porém, o diplomata advertiu que os esforços não têm sido suficientes.
"O mundo não alcançará o acesso universal à prevenção, o tratamento, o cuidado e a assistência se os recursos disponíveis nos países de média e baixa renda não aumentarem significativamente", afirmou.
O relatório preparado pelo secretário-geral da ONU será apresentado oficialmente amanhã, em uma sessão especial convocada pela Assembléia Geral para avaliar o progresso da luta contra a Aids.
De acordo com o documento, a taxa de doentes que recebem tratamento anti-retroviral aumentou em 42% em 2007, e cerca de três milhões de pessoas que vivem em países em desenvolvimento agora têm acesso a esses remédios.
No entanto, esse último número equivale a 30% dos doentes que precisam de remédios, o que é denunciado por algumas das ONGs que participarão das sessões da Assembléia Geral como uma prova de que os avanços são relativamente poucos.
Além disso, os cerca de US$ 10 bilhões destinados no ano passado ao combate à aids ainda estão muito longe dos US$ 22,2 bilhões que a mesma Assembléia Geral estipulou há dois anos como necessários para que o tratamento seja universalizado até 2010.
Apesar de tudo, o diretor do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids), Peter Piot, destacou que, pela primeira vez, foram alcaçados resultados palpáveis, razão pela qual a luta contra a doença está entrando "em uma nova fase" e o desafio atual passou a ser "manter a intensidade" dos avanços.
Já o secretário (ministro) de Saúde do México, José Ángel Córdoba, que discursará na Assembléia Geral em nome do Grupo do Rio - também integrado pelo Brasil e outros 17 países da América Latina -, disse hoje à Agência Efe que o alto preço dos remédios continua sendo o grande obstáculo para estender o tratamento a todos os dois milhões de latino-americanos infectados pelo HIV.
Só no México, onde o tratamento é garantido a todos os habitantes, o Governo gasta US$ 300 milhões ao ano no atendimento aos 45.000 doentes registrados nos programas públicos de saúde.
Outro problema é que cerca de 70% dos latino-americanos não têm informações científicas precisas sobre o vírus, o que facilita sua propagação e dificulta o diagnóstico dos infectados, acrescentou Córdoba.
Em seu relatório, Ban reconheceu que "a propagação dos serviços essenciais aos doentes não acompanha o ritmo de crescimento da epidemia".
Assim, enquanto em 2007 um milhão de pessoas foram inscritas para serem tratadas com anti-retrovirais, o número de infectados aumentou em 2,5 milhões, sobretudo na África, que concentra 68% de todas as infecções por HIV no mundo e 76% das mortes relacionadas à Aids.
site www.giv.org.br
09/06/2008 - EFE
site www.giv.org.br
Os progressos que a comunidade internacional obteve na luta contra a Aids ao longo da última década têm sido insuficientes para garantir o acesso da população mundial à prevenção e ao tratamento aos 33,2 milhões de pessoas que atualmente vivem com o HIV, destacou hoje a ONU em um relatório.
O estudo, elaborado pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, chama a atenção para pontos positivos e negativos no cumprimento das metas estipuladas pela comunidade internacional com relação à epidemia.
Ban afirma que o aumento dos investimentos nesta matéria nos últimos dez anos "começa a dar frutos", o que se reflete na redução de novos casos de infecções e do número de mortes.
O secretário-geral da ONU ressalta que que os cerca de 2,5 milhões de novos casos registrados em 2007 supõem uma notável redução em relação aos 3,2 milhões contabilizados em 1998.
Além disso, as mortes anuais ligadas à doença caíram de 3,9 milhões em 2001 para 2,1 milhões em 2007.
Ban atribuiu essas "conquistas" ao aumento dos recursos destinados à luta contra a epidemia, para a qual, no ano passado, foram reservados US$ 10 bilhões. Porém, o diplomata advertiu que os esforços não têm sido suficientes.
"O mundo não alcançará o acesso universal à prevenção, o tratamento, o cuidado e a assistência se os recursos disponíveis nos países de média e baixa renda não aumentarem significativamente", afirmou.
O relatório preparado pelo secretário-geral da ONU será apresentado oficialmente amanhã, em uma sessão especial convocada pela Assembléia Geral para avaliar o progresso da luta contra a Aids.
De acordo com o documento, a taxa de doentes que recebem tratamento anti-retroviral aumentou em 42% em 2007, e cerca de três milhões de pessoas que vivem em países em desenvolvimento agora têm acesso a esses remédios.
No entanto, esse último número equivale a 30% dos doentes que precisam de remédios, o que é denunciado por algumas das ONGs que participarão das sessões da Assembléia Geral como uma prova de que os avanços são relativamente poucos.
Além disso, os cerca de US$ 10 bilhões destinados no ano passado ao combate à aids ainda estão muito longe dos US$ 22,2 bilhões que a mesma Assembléia Geral estipulou há dois anos como necessários para que o tratamento seja universalizado até 2010.
Apesar de tudo, o diretor do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids), Peter Piot, destacou que, pela primeira vez, foram alcaçados resultados palpáveis, razão pela qual a luta contra a doença está entrando "em uma nova fase" e o desafio atual passou a ser "manter a intensidade" dos avanços.
Já o secretário (ministro) de Saúde do México, José Ángel Córdoba, que discursará na Assembléia Geral em nome do Grupo do Rio - também integrado pelo Brasil e outros 17 países da América Latina -, disse hoje à Agência Efe que o alto preço dos remédios continua sendo o grande obstáculo para estender o tratamento a todos os dois milhões de latino-americanos infectados pelo HIV.
Só no México, onde o tratamento é garantido a todos os habitantes, o Governo gasta US$ 300 milhões ao ano no atendimento aos 45.000 doentes registrados nos programas públicos de saúde.
Outro problema é que cerca de 70% dos latino-americanos não têm informações científicas precisas sobre o vírus, o que facilita sua propagação e dificulta o diagnóstico dos infectados, acrescentou Córdoba.
Em seu relatório, Ban reconheceu que "a propagação dos serviços essenciais aos doentes não acompanha o ritmo de crescimento da epidemia".
Assim, enquanto em 2007 um milhão de pessoas foram inscritas para serem tratadas com anti-retrovirais, o número de infectados aumentou em 2,5 milhões, sobretudo na África, que concentra 68% de todas as infecções por HIV no mundo e 76% das mortes relacionadas à Aids.
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